Sexta-feira, Novembro 16, 2007

déjà vu ....


Contrariado pelas horas, desliguei a televisão. Afinal ao dia seguinte previa-se um dia de azáfama. Apaguei a luz da cozinha e lá me fui deitar. A flôre já lá estava no quarto. Parecía envolvida num casulo de fofo descanso. Eu sabia que não estava a dormir ainda. Tirei o robe qual Omar Sharif. Deitei-me. Os pézinhos, (limpinhos e suaves) deslizaram nos lençóis de algodão morninho. Naturalmente todos estes meus movimentos mexiam a cama. Toda a cama. Mas a flore lá continuava de olhos fechados. O rostro transmitia aquela paz doméstica de quem sabe distinguir as “boas rotinas” das etapas do dia. Apaguei o candeeiro de mesa. E a escuridão silenciosa do sossego cubriu tudo. Excepto as frinchitas da persiana. Aqueles irritantes buracos la faziam de pirilampos. Pronto, se eles são felizes assim!. Adiante.

Continuava eu nos meus movimentos de adaptação ao precioso momento de dormir. Lá senti a minha coluna suspirar de alivio. E amávelmente me agradeceu com um formigueio bem confortável. Desejei boa noite à minha espinha, apróximei-me da face da minha flore e estampei uns “sonos da cor que mais lhe apetecer” em forma beijo. Ela retribuiu o assunto e fez-se de novo o silêncio.


Eu sabia que ela não estava a dormir. E comentei assim de sussurro...

.- Olha! ...o Tony matou o sobrinho ...o Christopher!


Ela, passado uns cinco segundos comentou baixinho:
.- Outra vez??


e eu estupefacto:
.- Outra vez porquê?? ...ele já o tinha matado??


e ela irritada:
.- Então? Não tinha? P'ra ai umas duas vezes!!...


Fez-se um silêncio, daqueles de noite mesmo, e passados uns vinte segundos soltamos, de forma perfeitamente sincronizada, uma gargalhada apagada. Daquelas para não acordar vizinhos. Risos estonteantes abafados na almofada. De tal forma “in crescendo” e contagiante que fui parar ao chão com a barriga dobrada e a almofada entre os dentes... Ela ria disparatadamente igual.


Após uns minutos, la recobramos as composturas e devidas posições de “vamos lá p'ro sono mazé”.
Passou um tempo curto. Eu contemplava a negritude e o silêncio era o amo e senhor de tudo.

Ela mexeu-se. Virou-se para mim. Chegadinha bem perto da minha orelha e perguntou muito séria. Reflectiva:

.- Olha! E como reagiu a mulher do Tony ... a “Cornélia”!!!


e eu atónito:
.- Cornélia??? ...ah! A “Carmela”!!!


Pronto! Venha daí outro “déjà vu hilariante”.

4 Aplausos:

1entre1000's disse...

:D:D:D...
eu só espero que o toni alí em baixo não leia esta conversa senão you2 are dead!!!

flor disse...

fizeste-me rir como naquela noite...

pentelho real disse...

eu quero mais!!!


era o tony carreira?

galakteia disse...

aqui vai!